Botafogo de Paulo Autuori dá aula de contra-ataque, aproveita a afobação do Atlético-MG e garante três pontos no Engenhão


Luiz Ferreira analisa a primeira vitória do Glorioso no Campeonato Brasileiro na coluna PAPO TÁTICO

Este que escreve foi um dos muitos que se assustou assim que a escalação do Botafogo foi anunciada. O técnico Paulo Autuori poupava o japonês Honda e deixava Bruno Nazário no banco de reservas e apostava numa formação que lembrava e muito os times dos anos 1990, com dois volantes, dois meias e dois atacantes. O que se viu no Estádio Nilton Santos, no entanto, foi uma aula de contra-ataque dada pelo Glorioso e um Atlético-MG que parecia mais desorganizado e muito mais afobado do que nas últimas partidas. De acordo com o ótimo SofaScore, foram incríveis 31 finalizações a gol contra 10 do Botafogo e 74% de posse de bola. Fora os três chutes na trave de Gatito Fernández. Melhor para o Glorioso que viu Marcelo Benevenuto e Kanu se destacarem mais uma vez, aproveitou melhor as oportunidades que criou e conquistou a sua primeira vitória no Campeoanto Brasileiro.

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A escalação divulgada por Paulo Autuori dava a entender que o Botafogo daria a bola para seu adversário e exploraria os espaços às costas dos defensores do Atlético-MG. E assim foi feito. Ainda que a equipe tenha demorado a se encontrar em campo e tenha concedido espaços demais pelo lado direito, onde Barrandeguy sofreu demais com as investidas de Guilherme Arana e Keno pelo seu setor. Conforme o tempo ia passando (e o time de Jorge Sampaoli ia empilhando chances desperdiçadas), o Botafogo foi compactando suas linhas, colocando mais intensidade nas transições e abusando da velocidade nos contra-ataques. O gol de Luiz Fernando é um bom exemplo. A jogada começa com o promissor Luiz Henrique tabelando com Matheus Babi, deixou a defesa do Galo na saudade e chutou forte para a defesa parcial de Rafael. No rebote, o camisa 10 do Glorioso completou para as redes.

Luiz Henrique recebe a bola ainda na intermediária do Botafogo e arma o contra-ataque que resulta no primeiro gol do Botafogo (marcado por Luiz Fernando). O surpreendente 4-2-4 de Paulo Autuori só funcionou quando sua equipe compactou suas linhas, fechou espaços e colocou intensidade nas transições. Foto: Reprodução / TV Globo.

O Atlético-MG seguia tentando explorar os espaços entre laterais e zagueiros do Botafogo e fazendo a bola circular na frente da área defendida por Gatito Fernández. O que acontecia, no entanto, era a tomada de decisão errada de Keno, Marrony, Marquinhos e companhia, ou as defesas do arqueiro do Glorioso. O 4-3-3 que se desdobra num 3-2-5 conforme a movimentação dos alas e meio-campistas atleticanos também deixava a desejar na recomposição, fato que quase levou o treinador Jorge Sampaoli à loucura em determinados momentos da partida. Ao mesmo tempo, vale lembrar que Hyoran, Allan e Alan Franco também concederam espaços demais entre as linhas e cadenciavam demais o jogo do Galo. Velocidade apenas quando a bola chegava em Keno ou Marquinhos pelos lados do campo, mas os dois também erraram demais nas tomadas de decisão. Fato que deixou Marrony bastante isolado na frente.

O Atlético-MG de Jorge Sampaoli empilhou chutes a gol e abusou da posse da bola sem, no entanto, conseguir transformar essa superioridade em gols. Faltou mais intensidade e melhores tomadas de decisão. Guga e Guilherme Arana se revezavam pelos lados e por dentro, mas também contribuíram pouco. Foto: Reprodução / TV Globo.

Após o intervalo, o técnico Paulo Autuori fez substituições que deram mais corpo ao Botafogo. Principalmente com a entrada de Rafael Foster na frente da zaga com o objetivo de anular os “cinco atacantes” do Atlético-MG de Jorge Sampaoli. O grande problema da equipe ainda estava no espaço entre zagueiros e laterais. E nesse ponto, o gol de Igor Rabello é emblemático. Danilo Barcelos não consegue parar Jair no lado esquerdo de ataque e vê o camisa 8 do Galo encontrar seu companheiro de equipe aproveitando a cratera que existe entre Marcelo Benevenuto e Kanu. O lado bom (para o Botafogo) é que essa falha aconteceu apenas nos minutos finais da partida e quando o Atlético-MG colocou um jogador como referência no setor ofensivo (ainda que fosse o zagueiro Igor Rabello). Mas esse é um ponto que merece a atenção de Paulo Autuori e de toda a comissão técnica botafoguense.

Jair passa por Danilo Barcelos e encontra Igor Rabello atacando o espaço existente entre os zagueiros Marcelo Benevenuto e Kanu. O Botafogo sofreu o gol do Atlético-MG justo no momento em que relaxou a marcação e baixou a concentração. Lição que deve ser aprendida por todo o elenco e resolvida pela comissão técnica. Foto: Reprodução / TV Globo.

A tônica do jogo foi essa. O Galo criava chances, mas pecava demais nas finalizações e até se apequenava na frente de Gatito Fernández. Bruno Nazário (outro que entrou no segundo tempo) ainda ampliou em lance anulado pelo VAR (este que escreve teria validado o gol), mas foi Caio Alexandre quem balançou as redes aproveitando (mais uma) bela jogada de Matheus Babi. O resultado final acabaria por mostrar que a experiência de Paulo Autuori ainda é extremamente benéfica ao Botafogo. Não somente para montar o time titular com um elenco enxuto e construído na base do “bom e barato”, mas por conseguir encontrar meios de anular as principais armas do Atlético-MG, equipe já apontada como a grande favorita ao título antes do início da quarta rodada do Campeonato Brasileiro. E como dissemos anteriormente, o futebol precisa ser analisado com calma e sem exaltações.

A primeira vitória do Botafogo no Campeonato Brasileiro também aponta o caminho certo para Paulo Autuori rodar o elenco já pensando nas próximas rodadas do Brasileirão e as partidas da Copa do Brasil. Honda e Bruno Nazário são importantíssimos. Mas o treinador do Glorioso já mostrou que há vida sem seus principais jogadores em campo. E isso é ótimo.

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Fonte: torcedores.com
Author: Luiz Ferreira

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