Luiza Estevão: “Esse é o ano do Brasiliense”


Por Bruno H. de Moura e Victor Parrini

Filha do empresário e ex-senador Luiz Estevão, figura que arrebata sentimentos díspares – a uns idolatria, a outros antipatia -, Luiza Estevão não herdou apenas o afixo paterno, mas principalmente a paixão de infância do pai: o futebol.

Remando contra a maré de outros experientes dirigentes e cartolas do futebol brasileiro, atualmente, o Brasiliense é comandado não apenas por um jovem de 24 anos, mas por uma mulher. Caso raro, ainda mais se tratando de uma atividade esportiva dominada pelo falo, o Jacaré do papo amarelo é uma espécie de oásis na modalidade nacional, dentre as várias razões, por sua mandatária.

Oficialmente Presidente, autoproclamada vice-presidente – para Luíza o cargo máximo do Brasiliense sempre pertencerá a seu pai -, a cartola de pensamento rápido, língua afiada e mente desconfiada levou o Jacaré rumo a um título inédito: A Copa Verde 2020.

É a primeira competição nacional faturada pelo Brasiliense desde 2006, há 14 anos. É a segunda Copa de caráter nacionalizado em que o time vai longe. Em 2002, no polêmico campeonato da Copa do Brasil daquele ano, o Brasiliense foi finalista, mas sucumbiu ao apito amigo corintiano de Carlos Eugênio Simon.

Em entrevista ao Distrito do Esporte, Luiza Estevão falou sobre o título da Copa Verde, o elenco do Brasiliense, a saída de Edson Souza e a chegada de Vilson Taddei, as expectativas para a temporada 2021, os adversários do Brasiliense no Candangão, como quase contratou o atacante Ademir, principal nome do atual elenco do América-MG, os veteranos do Brasiliense, a possibilidade de categorias de base e a percepção de seu pai a respeito da gestão de Luíza à frente do Brasiliense.

A seguir você o bate-papo com Luíza Estevão.

Distrito do Esporte – Vocês esperavam ganhar o título da Copa Verde quando tiveram o primeiro jogo da competição?

Luíza Estevão – Não vou dizer que esperávamos, mas estávamos confiantes. Temos um time muito bom e conseguimos mostrar isso. Estamos trabalhando há muito tempo para conseguir um time fechado e entrosado, do jeito que temos agora. No primeiro jogo, a gente ganhou do Vitória-ES de 4×0, já mostramos o poder que o Brasiliense tinha para chegar à frente na competição. Mas o que realmente colocou a chance de título na nossa cabeça, foi ter eliminado o Atlético-GO, que era um dos favoritos a ganhar. A gente só pegou time difícil, uma chave complicada e com equipes candidatas ao título.

DDE – Então a chave virou a partir daquela vitória sobre o Atlético-GO por 2×1 em Goiânia?

LE – Foi. Acredito eu.

DDE – E o elenco também teve essa percepção ou foi só você?

LE – (Luíza da uma leve risada) O elenco também. Não querendo desmerecer o trabalho das outras equipes na Copa Verde, mas jogamos contra o Vitória-ES e contra o Luverdense-MT, duas equipes que ainda estavam em fase de montagem de elenco. Então, talvez os dois times não representassem a dificuldade que viria pela frente. A gente sentiu maior dificuldade a partir dos confrontos diante do Atlético-GO, que foram em jogos de ida e volta.

DDE – Eu lembro de acompanhar no Serejão o jogo diante do Vila-Nova, e eles tinham certeza que iriam chegar à final ne?!

LE – Sim. Tinham certeza. Eu não me incomodo com eles tendo essa certeza porque eles eram um dos favoritos ao título. Eles vieram com a cabeça cheia que poderiam levar  a classificação a final, e vieram com tudo. Tanto que venceram o segundo jogo, mas foram eliminados nos pênaltis. E acredito que a eliminação foi o motivo da indignação de membros da comissão técnica e diretoria, que estavam sentados na arquibancada, ficarem bem abalados com a eliminação, que não estavam esperando.

DDE – Você acha que a empáfia desses times, o fato de Atlético-GO jogar a Série A, e Vila Nova-GO ser o atual campeão da Série C do Brasileiro pesou nas respectivas eliminações?

LE – Acredito que não. Eles vieram sabendo que o Brasiliense tinha um time muito forte. No primeiro jogo, o Atlético-GO jogou com uma equipe bastante mista, com juniores e acho que só quatro reservas, enquanto no segundo, após a partida contra o Santos pela Série A, eles já vieram direto para o confronto final, sabendo que éramos um adversário difícil, senão não teriam vindo com o time completo, que joga a primeira divisão.

DDE –  O Brasiliense encarou de igual para igual times de Série A, como o Atlético GO e o Cuiabá, times de Série C como o Vila Nova que foi campeão do torneio e o Remo que também subiu e quase foi campeão. Então os adversários que o time encarou foram de divisões do futebol brasileiro. Mas o Brasiliense está na Série D, no momento e acabou sendo eliminado no último ano para o Mirassol que foi o campeão:

LE – Acho que a gente deu azar na tabela, justamente porque Brasiliense e Mirassol-SP eram dois favoritos ao título da Série D. São coisas do futebol que acontecem. Mas eu acho que as pessoas têm que parar um pouco de dizer ‘Um time de Série D’, de certa forma, menosprezando os times da quarta divisão. Para você ver, o próprio Mirassol que era um time de Série D, ganhou do São Paulo e o eliminou do Paulistão.  A Série D sempre tem times muito fortes. É uma das divisões mais difíceis de se conquistar o acesso, comparado às Séries C e B. Não é uma competição que deve ser menosprezada.

DDE – Na sua perspectiva, com o comando técnico de Vilson Tadei, que já resultou no título da Copa Verde, esse é o ano do título da Série D e, consequentemente, do acesso à terceira divisão?

LE – Acredito que este é o ano sim! Claro, a gente não pode dizer isso com tanta certeza porque, afinal, são coisas do futebol. Mas o nosso objetivo é ser campeão da Série D. Já temos os troféus das Séries B e C, então falta o da quarta divisão para nos consagramos. Com essa contratação, com essa pré-temporada que tivemos, teremos mais tempo de preparação. Temos uma comissão técnica muito competente, o pessoal pergunta muito sobre essa rivalidade, se tem a ver uma coisa com a outra, mas a gente faz as contratações, as mudanças no time, pensando na gente…

DDE – Então quando o Brasiliense contratou o Vilson Taddei ele não estava pensando o Gama?

LE – De forma alguma.

DDE – Saiu uma informação de que teria sido um pedido político para enfraquecer o Gama por questões de eleição em 2022.

LE – Não, de forma alguma. A gente estava na verdade precisando trocar de técnico naquele momento. Eu sei que muitas pessoas vendo de fora acham até difícil de acreditar “mas porquê?”. Fizemos a melhor campanha da Série D até então, mas acontecem coisas nos bastidores, e foi uma coisa conversada com elenco, comissão, e o melhor técnico naquele momento era o Vilson Taddei. Lembrando que o melhor técnico para gente, não importa em qual time ele estava.

DDE – O Brasiliense venceu o Samambaia com um elenco, que não vou chamar de reserva, mas de jogadores que não entram muito.

LE – O Brasiliense, no momento, está com um elenco muito qualificado, onde não temos nenhum titular absoluto no Brasiliense. E muitos daqueles jogadores que jogaram não haviam atuado ainda pelo Brasiliense, muito por causa das normas da Copa Verde, o Vila Nova teve o mesmo problema, e esses jogadores tiveram a oportunidade agora de jogar no Candangão.

DDE – Vai existir uma rotatividade maior do Brasiliense com relação ao elenco recheado. O Brasiliense vai colocar meio que times do Rio de Janeiro e colocar o sub-23 para disputar o Candangão?

LE – Não tenho como dizer isso, apesar de termos feito isso agora nas primeiras rodadas do Candangão. Isso porque tivemos uma campanha incansável agora na Copa Verde, jogando, muitas vezes, duas vezes por semana, e tudo isso logo na sequência da Série D. Então, alguns atletas estão bem cansados e optamos por dar chance para quem não vinha jogando. Mas a gente não pode pensar que o Candangão é uma competição fácil que dá para jogar assim.

DDE – Levar nas coxas?

LE – Isso, não dá para levar nas coxas, mas a gente vai buscar sempre colocar o melhor time em campo. Se tiver uma alta rotatividade é porque temos um elenco muito qualificado e são várias as opções para a comissão técnica que é realmente quem irá decidir.

DDE – Você disse que acompanha muito futebol e eu te acompanho no twitter e sei que é verdade. Você só não acompanha os jogos do América – MG, mas é um hábito que você vai adquirir com o tempo, quando começar a ver o que é o futebol de verdade (o repórter é torcedor do América)

LE – Eu gosto muito do América-MG também, inclusive, o atacante Ademir quase veio para o Brasiliense.

DDE – Como assim o Ademir, você queria prejudicar meu Coelhão, o que que é isso?! (o repórter é muito torcedor do América-MG e começa a rir)

LE – Não, não. O Ademir jogava no Patrocinense-MG, e alguns anos atrás nós fizemos um amistoso na estreia do estádio deles. Foi muito legal, nós fomos muito bem recebidos lá, e o Ademir deu um show, tanto é que eu falei tanto dele que o pessoal da rádio lá de Patrocínio me entrevistou e disse: “Luíza, você quer tirar nosso jogador né”, eu falei “Quero!”. No meio disso ele foi pro América, justamente para o América, então isso ficou e eu tenho memórias boas e gosto muito do América.

DDE: Mas eu estava fazendo essa introdução, primeiro para valorizar o Coelhão, mas para te perguntar: quem você acha que são os adversários diretos do Jacaré na competição?

LE – É um candangão atípico, diferente. Eu vi sua matéria que você fez sobre o arbitral e as mudanças no candango e eu fui uma das pessoas que votou pelos pontos corridos. Porque eu acho que inclusive a Série D poderia ser de pontos corridos, porque eu acho que 32 times de mata-mata é muito. Mas todos os clubes entenderam muito bem a necessidade da federação. Mas como ficou desse forma ficou complicado. Eu não posso dizer, mas o Gama, o Real Brasília e o Capital são adversários diretos para o Brasiliense. Acredito que, passando da primeira fase, qualquer um será um adversário direto também.

DDE – O Vilson Taddei deu uma entrevista para a WebZone e ele disse que um dos motivos que ele foi para o Brasiliense foi para abrir um canal para as categorias de base. Vocês estão pensando em criar uma categoria de base para o Brasiliense?

LE – Pensar, a gente sempre pensa, mas o Brasiliense não tem base há 11 anos, e tem uma razão para isso.

DDE – E qual a razão para isso?

LE – Eu não essa pergunta há 11 anos (rsrsrsrs). Claro que eu dei uma entrevista recentemente que eu falei muito sobre isso, mas quando encerrou a base a gente não imaginou que seria por tanto tempo. Mas não é segredo nenhum que minha família passa por momentos complicados, o que dificulta a expansão de projetos como esse, até tranquilizamos nossa situação. Mas é um assunto que está sempre na minha cabeça, especialmente categorias sub-19, pois tenho muito interesse em disputar a Copinha. A gente tinha planos e comissão técnica para iniciarmos o sub-19 em 2020, porém, devido à pandemia, ficou muito mais complicado de executar.

DDE – Mas a médio e longo prazo ou a se perder de vista?

LE – No momento a médio e longo prazo, porque o foco é subir nosso time principal para a Série C. E com a incerteza que a gente tem do futebol, hoje eu não sei se o futebol vai parar continuar, então é complicado fazer nessa incerteza.

DDE – O Brasiliense que está diminuindo a média de idade, o que sempre foi uma crítica da torcida “ah, o Brasiliense só tem velho, só tem jogador caro e experiente”, mas as últimas contratações foram jogadores novos, como o Luquinhas.

LE – Mas temos uma variação muito boa de idade. Inclusive temos o Coquinho de 16 anos, que está integrado à nossa equipe. Mas eu não trabalho procurando essa ou aquela idade, eu trabalho procurando jogadores bons que possam integrar o time.

DDE – Por isso que você contratou o Jorge Henrique?

LE – Não foi por isso, foi porque ele é um jogador bom que vai integrar a equipe. Era um jogador que estava na Série B e ele vai ajudar a gente bastante.

DDE – Essa dupla de ataque, Zé Love e Jorge Henrique, o que você pensa dos dois jogando juntos na titularidade pelo Brasiliense?

LE – O Zé Love foi o artilheiro da Série D.

DDE – Foi uma surpresa para você a artilharia do Zé Love?

LE – Nem um pouco, a gente contratou ele para jogar bem ué. Foi uma surpresa para a torcida, para a imprensa, pro povo que fica falando que o Brasiliense só contrata velho e não dá em nada. Pra mim não foi surpresa nenhuma. E não será surpresa essa dupla jogar muito bem juntos lá na frente.

DDE – Entendi. Vai queimar a língua dos críticos?

LE – Eu não preciso também, eu não faço nada pensando em crítico. Claro que quando acabam queimando a língua é bom e eu me sinto na obrigação de encher o saco. Mas eu não procuro ativamente fazer isso (fala rindo).

DDE – Eu sei que você não vai responder, mas eu preciso perguntar. O bicho da Copa Verde foi bom?

LE – Não sei. Sei não. Eu perdi essa reunião, tava dormindo, estudando.

DDE – Mas teve?

LE – Não sei não. Não sei não (risadinhas).

DDE – O Sucuri, quando ganhou o título da Copa Verde gravou uns vídeos direcionados ao jornalista Danny Pança que é identificado com o Gama. Vocês chegaram a conversar com o Sucuri sobre isso, acham que ele passou um pouco do ponto?

LE – Eu acho que ele estava em seu momento. O próprio Danny Pança também já fez vários comentários direcionados ao Sucuri. Mas acho que o goleiro, no calor do momento, se exaltou um pouco. Claro que comemorar, fazer esse tipo de comentário. Esse tipo não ne?! Mas esse tipo de provocação faz parte do futebol, é uma coisa que agrega muito ao jogo, mas acho que ali naquele momento ele passou um pouco do ponto.

DDE – Falando em Sucuri, ele teve uma fase importante no Brasiliense, no Candangão. Mas porque vocês contrataram o Fernando Henrique naquele momento se o Sucuri estava tão bem? E porque vocês dispensaram o Fernando Henrique depois de tanto tempo?

LE – O Fernando não foi dispensado, ele está emprestado para o Santo André. Na verdade esse é um namoro antigo, a gente estava tentando trazer ele há um bom tempo e o Sucuri é titular do Brasiliense há muito tempo e as pessoas não podem ficar acomodadas. O que aconteceu foi que perdemos ali nosso jogador reserva, o Elisson, que é um goleiro excelente inclusive, e ai o Sucuri ficou sem uma competição direta, então foi uma oportunidade, até porque o Santo André tinha dispensando os jogadores por causa da pandemia e etc.

Então, por opção técnica, o Sucuri ficou no banco e os dois sempre tiveram uma relação muito boa inclusive nos treinos.

DDE – Por fim, para encerrar. Papai (Luiz Estevão) está feliz com o comando de Luiza Estevão no Brasiliense?

LE – Está muito. Está feliz comigo aqui, está feliz com as nossas conquistas e está feliz com o time também que é o maior sonho dele de criança era ser presidente de um time de futebol e ver o time ter sucesso assim é uma coisa muito boa.

O ganho do futebol do DF com título do Brasiliense na Copa Verde

Ao final da conversa, Luiza Estevão falou sobre a importância do título da Copa Verde, não só para o Brasiliense, mas também para o cenário do Distrito Federal. “Estou torcendo pelo futebol de Brasília. Eu acho que a Copa Verde que o Brasiliense conquistou é muito importante para nós e para o futebol do Distrito Federal. E, com o título da Copa Verde, agora, temos o Real Brasília na Copa do Brasil 2021. Portanto, o DF agora conta com três representantes no torneio nacional. Isso é bacana, pois sobe o ranking da FFDF, dá mais visibilidade aos clubes”, pontuou.

PS: A entrevista foi gravada no dia 05 de março de 2021 por telefone com o repórter Bruno Henrique de Moura, o tal torcedor do América-MG.

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Fonte: distritodoesporte.com
Author: Distrito do Esporte

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