Marilson diz que terminou a maratona para 'encerrar a carreira de forma digna'

Estadão Conteúdo

Quinto colocado em Londres 2012, o brasileiro terminou a prova na 59ª colocação; Paulo Roberto comemora 15º lugar nos Jogos do Rio

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Foto: Reprodução/Olympics

Quem olha o histórico de Marilson Gomes dos Santos encontra poucos resultados tão ruins quanto o obtido neste domingo na maratona que fechou as provas de atletismo dos Jogos Olímpicos do Rio. O brasileiro terminou em 59.º lugar, com o tempo de 2h19min09, uma eternidade para quem está acostumado a correr entre 2h10 e 2h15 e que foi quinto colocado em Londres-2012.

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Ao fim da prova, no Sambódromo, Marilson culpou a umidade alta pelo resultado ruim e disse que, se fosse em qualquer outro momento da carreira, não teria se desgastado para chegar ao final. Pararia no meio e já começaria a pensar na próxima maratona. Desta vez, porém, não há uma próxima. Ele agora é um ex-atleta.

“Geralmente eu teria parado, mas não pare porque era questão de honra terminar aqui. Estava diante da minha torcida, no meu país, minha ultima prova. O dano para o físico é muito grande. Depois de uma prova dessa, isso é meio irreparável. Normalmente eu paro com esse tempo, mas eu queria terminar a carreira de uma forma mais digna”, disse.

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De acordo com ele, não havia muito mais do que fazer. O corpo, aos 39 anos, não aguentou acompanhar o ritmo dos primeiros colocados. Após metade dos 42 quilômetros de prova pela zona Sul e pelo centro do Rio, Marilson já sabia que não dava mais. A torcida o ajudou a continuar.

“Eu fiz o que eu pude. Dei meus 100%. Já percebi que não dava na metade da prova, onde eu comecei a sentir dificuldade. Se não fosse a torcida eu não teria terminado. Terminei por causa deles. A emoção batia mesmo. Eles me levaram. Terminei destruído”, contou, garantindo que não vai voltar a correr em alto rendimento.

Agora, quer descansar. Na semana que vem, tem uma conversa marcada com o clube dele, a BM&F Bovespa, que estaria interessado em mantê-lo na equipe, agora em nova função. Apesar de ser formado em educação física, Marilson, pelo menos por enquanto, descarta ser treinador.

Atletas competem na maratona




Foto: Divulgação Rio 2016

Paulo Roberto comemora 15º lugar na maratona; Solonei diz que rendeu 20%

Para ter chance de brigar por uma medalha na maratona masculina dos Jogos Olímpicos do Rio, os brasileiros já haviam avisado que precisavam de um dia quente. O calor atrapalharia todo mundo e ajudaria quem está mais acostumado a esse clima, ou seja, os próprios brasileiros. O dia, porém, amanheceu chovendo no Rio e a prova toda foi sob garoa. Com a umidade alta, não havia muito o que fazer.

“A gente contava com o calor. A gente esperava a quebra, mas, com essa temperatura, todo mundo quebra. Quebra o cara lá da frente, mas quebra também quem está atrás”, comentou Paulo Roberto de Paula, o 15.º colocado. Melhor brasileiro, ele foi o único que rendeu dentro do esperado, completando a prova com o tempo de 2h13min56, marca com a qual está acostumado.

“A prova foi boa. Fui oitavo em Londres, 15.º aqui. Foi o mesmo resultado para mim. Cheguei até melhor que em Londres fisicamente, fiz meu melhor. Nunca tinha corrido uma maratona no Brasil, foi a primeira vez. Saio daqui feliz. O 15.º para mim foi bom. Lutei até o fim e já saio com o pensamento em 2020”, garantiu.

Já  Solonei Silva, que tem 2h11min como melhor tempo da carreira, ficou muito longe disso. Completou a prova em 2h22min05s, no 78.º lugar, e admitiu que “nada do que imaginava” deu certo. Segundo ele, o corpo estava 100%, mas só rendeu 20%.

“Infelizmente existe uma questão de clima que é um dos fatores principais para o nosso desempenho. Fiz treinos 10 vezes melhores do que eu competi hoje (domingo). Correndo sozinho, sem torcida, na rua, eu faria esse tempo. Minha competição ficou muito a desejar. O que eu apresentei hoje foi muito aquém do meu rendimento. Fica a alegria de ter corrido uma Olimpíada em casa e realizado um sonho daquele cara que corria atrás de caminhão de lixo”, comentou o corredor, que ganhou o Pan de 2011 e só chegou ao atletismo aos 27 anos.

Fonte: esporte.ig.com.br
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