Sala de Imprensa #14 – A Ilusão foi REAL


O texto se trata de um artigo de opinião e, portanto, é de inteira responsabilidade de seu autor. As opiniões nele emitidas não estão relacionadas, necessariamente, ao ponto de vista do Distrito do Esporte.

Por Pedro Breganholi*

Quando o Real Brasília surgiu, em 2017, ainda com o nome de Real Futebol Clube, os amantes do futebol candango se animaram. Afinal de contas, surgia ali um projeto promissor, com muitas promessas e em um momento difícil para o esporte local e ninguém imaginaria que em 2021 esse clube acabaria rebaixado.

Lá em 2017, enquanto o Gama se afundava em dívidas cada vez maiores, o Brasiliense, até então principal expoente do DF, vivia o pior momento de sua história, estando sem divisão nacional. A chegada do Real era um alento e uma esperança por dias melhores.

E o começo foi, de fato, animador. Com uma boa estrutura de trabalho para os funcionários, salários em dia e projetos de marketing, o clube foi caindo no gosto dos candangos, ainda que discretamente. Se por um lado, o Real ainda tinha pouquíssimos torcedores fiéis, por outro, era respeito por todos os que acompanhavam o futebol candango. Não existia ódio ao Real. Existia uma torcida geral para que o projeto desse certo. O clube tinha até um departamento de comunicação organizado, algo que ainda é luxo para a maioria dos clubes do Distrito Federal.

Os anos se passaram e o encanto continuou. Testemunhamos o clube colocando alguns projetos ambiciosos em funcionamento, como o time feminino (hoje na Primeira Divisão do Brasil), a categoria de base que chegou a passar de fase na Copa São Paulo em 2019, time de futsal e o estádio do Defelê, na Vila Planalto. As empresas do dono do Real Brasília passaram a apoiar alguns dos veículos de imprensa locais, algo que ninguém nunca fez.

Tudo isso, no entanto, foi cortina de fumaça para o que realmente acontecia no Real Brasília.

FRACASSO EM CAMPO

Se o time feminino prosperou, não se pode dizer o mesmo do time masculino. Apesar de ter ido sempre para o mata-mata nos campeonatos que disputou no DF, o Real Brasília nunca conseguiu dar o passo adiante. Azar? Alguns diriam que sim, já que o clube cruzou com equipes poderosas e acabou ficando pelo caminho. Mas o regulamento facilitava para os que acabassem no topo da classificação, algo que o Real nunca conseguiu.

Do primeiro elenco do Real Brasília, em 2017, até o de 2021, rebaixado, se viu pouca ou quase nenhuma evolução. O nível dos jogadores contratados não subiu e o trabalho do departamento de futebol se limitou, basicamente, a contratar destaques das outras equipes do DF e entorno. O que dava certo nos vizinhos, o Real contratava. Foi assim com Serginho, ex-Paracatu, Roberto Pitio, ex-Gama, Danilo Itaporanga, também ex-Paracatu e tantos outros.

As contratações de nomes de peso, como as que o Brasiliense faz, nunca vieram. Os jogadores de destaque nacional, aqueles que vem para mudar o clube de patamar, também nunca vieram, e o Real estacionou. O projeto de tornar o clube conhecido no cenário nacional sequer passou perto de ser realizado, já que o time nunca se classificou para a Série D.

Dessa forma, o Real se viu estacionado dentro de campo, sem conseguir dar o próximo passo

ENTROU NA DANÇA

Mas mesmo que em campo as coisas não evoluíssem, o Real Brasília ainda era a oposição fora dele. A vontade de fazer diferente e ajudar o esporte pode ser notada com o apoio à eventos, veículos de imprensa, ao futebol feminino e até mesmo a reforma do estádio Defelê, tornando o Real o único clube do DF a ter um estádio privado.

O tombo, no entanto, veio quando o Real deixou de pensar num todo e agiu como os outros clubes. Se tornou soberbo e foi um dos cabeças para criar o regulamento que o rebaixou com apenas seis jogos oficiais. Que baita tiro no pé.

O começo ruim do Real em 2021 foi surpreendente, mas o clube jamais cairia em um campeonato “normal”. Aliás, já estava somando pontos e subindo na tabela, mas, novamente, vitima do próprio orgulho. Os clubes grandes, que apoiaram tal regulamento, acharam que jamais cairiam no combalido futebol candango… Pois é. E o Gama, maior campeão do DF, por pouco não foi junto.

REAL RESPIRA

O futebol feminino é um respiro ao Real Brasília, que ainda tem tempo de repensar tudo que o que fez, voltar para a elite e fazer melhor. Mas é preciso mais; o feijão com arroz, feito até aqui, não vai levar o clube longe. Caso os proprietários não estejam felizes em gastar dinheiro sem ir para lugar nenhum (e não devem estar), mudanças precisam ser feitas.

Novos profissionais na comissão técnica, na diretoria e principalmente dentro de campo podem fazer o clube, enfim, se tornar o que promete desde sua fundação.

*Pedro Breganholi, jornalista por paixão e vocação, acompanhando o futebol do DF desde 2010.

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Fonte: distritodoesporte.com
Author: Distrito do Esporte

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