Vitória sofrida sobre o Barcelona de Guayaquil não esconde o fato de que há algo de muito errado no Flamengo


Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação ruim dos comandados de Domènec Torrent

É bem verdade que o resultado é importantíssimo por todo o contexto envolvido na partida. Onze desfalques, surto de COVID-19 na delegação, treino cancelado por causa das cinzas de um vulcão, cobranças internas por conta derrota para o Independiente del Valle, fora a pressão da torcida em cima de Domènec Torrent. A vitória (sofrida e suada) sobre o Barcelona de Guayaquil nesta terça-feira (22) aliviou um pouco o clima no Flamengo, é verdade. Mesmo assim, este que escreve terminou de ver o jogo com a sensação de que há algo de muito errado com o elenco rubro-negro. Não é só o treinador, não é apenas a preparação física e nem é a queda de rendimento de jogadores que faziam a diferença não faz tanto tempo assim. E é esse conjunto de problemas que vem deixando o Fla alguns patamares abaixo do nível que alcançou em 2019 e início de 2020.

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Os primeiros trinta minutos de jogo no Estádio Monumental Isidro Romero Carbo talvez tenham sido os melhores do Flamengo desde a vitória sobre o Fluminense. Mesmo com todos todos os desfalques, Domènec Torrent conseguiu fazer com que seu time mostrasse bom volume de jogo num 4-2-3-1 de boa movimentação ofensiva. Gerson ocupou o lado esquerdo e criou algumas das principais jogadas do escrete rubro-negro. Como a do primeiro gol do Fla, marcado por Pedro (outro que teve boa atuação). Mais atrás, Thuler (mesmo improvisado na lateral) não comprometia na marcação e dava condições para que Éverton Ribeiro participasse das tramas ofensivas com certa liberdade. E Arrascaeta fazia diferença explorando o espaço entre as linhas do Barcelona. Tudo ia bem até o Flamengo baixar o nível de intensidade e começar a conceder espaços à frente da sua defesa.

E isso aconteceu no final da primeira etapa. O Barcelona se organizou um pouco mais, notou que o Flamengo executava muito mal as suas transições defensivas e tratou de acelerar as jogadas pelos lados do campo e as viradas de jogo. Foi assim que Damián Díaz viu Cólman se lançando às costas da defesa e desperdiçar chance cristalina porque Arrascaeta voltou fazendo a recomposição. E foi assim (já no início do segundo tempo) que Arroyo lançou o já mencionado camisa 28 do Barcelona no lado esquerdo da defesa do Fla para servir Martínez no lance que resultou no único gol da equipe equatoriana na partida. Vale lembrar que o escrete rubro-negro tentava marcar seu adversário avançando a última linha de marcação tal como fazia nos tempos de Jorge Jesus. Mas faltava intensidade para fechar os espaços e fazer a pressão no portador da bola. Há algo de muito errado.

Domènec Torrent viu sua equipe sofrer horrores nos minutos finais da partida. Tudo porque Fabián Bustos mexeu bem na sua equipe (com as entradas de Jonathan Álvez e Gabriel Marques nos lugares de Arroyo e Aimar respectivamente). Fora isso, o Flamengo sentiu demais o gol marcado por Martínez e demorou para se recuperar. E quando o fez, desperdiçou boas chances de ampliar o placar e terminar o jogo com alguma tranquilidade. Dome foi obrigado a mexer no time depois que Pedro reclamou de dores e que Thuler já estava completamente exausto jogando improvisado na lateral. E a impressão que ficou após a partida é que o escrete rubro-negro desceu alguns bons degraus em matéria de força mental, concentração e intensidade com relação ao ano passado. Repetimos: pelo contexto, a vitória foi importantíssima. Mas a equipe segue devendo e muito. Principalmente no setor defensivo.

Este que escreve segue com a impressão de que há algo muito errado com o Flamengo. Falamos aqui mesmo neste espaço que há um choque de filosofias dentro do elenco. Alguns jogadores mostram uma dificuldade imensa para assimilar os conceitos de Domèmec Torrent. Este, por sua vez, precisa de tempo para deixar a equipe rubro-negra do jeito que deseja e corrigir os (inúmeros) problemas defensivos apresentados nos últimos jogos. No entanto, o que parece mais grave não está nem no pé e nem na bola. Está na cabeça. É nítido que a confiança que a equipe tinha no ano passado e início desse ano foi pro espaço. A única certeza é que Pedro tem que ser titular até que Gabigol recupere seu bom futebol. O camisa 21 foi um dos melhores do Flamengo junto com Thiago Maia, Gerson e Arrascaeta. Mesmo assim, todo o time ainda está devendo. E nem a vitória sobre o Barcelona mascara isso.

Certo é que a consistência que eu e você vimos no time do Flamengo em 2019 e início de 2020 não existe mais. Há como subir de patamar novamente, mas é preciso que jogadores estejam abertos aos conceitos trazidos por Domènec Torrent e os assimilem o mais rápido possível. Recuperar o preparo físico e a confiança é fundamental para seguir brigando por títulos nessa temporada estupidamente conturbada.

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Fonte: torcedores.com
Author: Luiz Ferreira

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